Capítulo 2 - Mago
- T.S.Duque
- 6 de set. de 2015
- 2 min de leitura

Naquela altura Mago já via uma gota de suor lhe escapar do rosto, indo direto para o chão. Havia parado por um instante seu encantamento para recuperar o fôlego e percebeu naquele momento que aquilo exigiria muito além de seus conhecimentos e estudos, exigiria o máximo de sua fé e crença naquela ação. Uma ação que sempre temeu. Uma ação que precisava realizar. Uma ação que o levava de volta as suas origens. Um servo supremo daquele que viria reivindicar seu lugar.
Durante muito tempo esteve se preparando para aquele momento. O momento em que, dizia seu mestre, o mundo conheceria a verdadeira força de um injustiçado. E ele era apenas mais um. Um injustiçado e incompreendido ser humano que achara um enorme objetivo para viver e acabar de vez com todos aqueles que o julgavam.
Naquela caverna úmida iluminada apenas por algumas velas, Mago ditava o ritmo de seu ritual, proferindo palavras que lhe haviam sido entregues por seu mestre em um sonho. Um sonho que o fez compreender todos os objetivos daquele ser que queria se levantar das trevas e voltar para cumprir seu objetivo, um objetivo que ironicamente se enquadrava muito bem com os do próprio Mago.
- Traga o pó – disse Mago para seu assistente -, depressa.
- Aqui está senhor – disse Juninho, em meio a tremulações difíceis de controlar.
- Está com medo Juninho? – Perguntou Mago, com um sorriso irônico e forçado nos lábios.
- É...é não senhor, digo, sim senhor.
- Sábio. Muito sábio.
Juninho concordou apenas com a cabeça e tomou distância. Mago prosseguiu, pronunciando palavras que não faziam sentido algum, nem mesmo para os próprios ouvidos, mas que lhe causava uma reação em cadeia que não poderia explicar, nem se quisesse, dentro de si. Sentia tudo naquele momento, medo, insegurança, esperança, força, fraqueza, um misto de sentimento, diversos sentimentos, exceto a dúvida. Não, não haviam duvidas, aquilo precisava ser feito. E seria.
Observou no momento em que juntou o pó, trago por Juninho, nas duas mãos que as velas se apagaram, sua voz se levantou e pareceu ecoar nos quatro cantos do lugar. Juninho levou as mãos aos ouvidos, tencionando não ouvir mais aquele cântico que parecia lhe tirar a paz, toda a paz que um dia houvesse estado em sua vida.
Com um movimento circular, subindo e descendo, Mago foi aos poucos deixando escapar o pó por entre os dedos, e a poeira foi tomando conta do lugar. Girando. Subindo. Descendo. De modo que agora não era nem mesmo possível ver um ao outro. Mago no centro do poder. Juninho à espreita, apenas observando e se contorcendo num canto da caverna.
- Já está – Mago falou, com autoridade -, que se inicie o novo século – e de súbito abaixou as mãos na frente do corpo e em seguida se ajoelhou. A poeira começou a se materializar, girando no ar e lentamente se assentando. Átomo por átomo. Partícula por partícula. E então eles puderam contemplar. O rei estava de volta. A profecia iria se cumprir. E Mago concluiu que seu sonho realmente era verdade, e uma outra verdade também se confirmava...a humanidade estava perdida.























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